Um blog ou um livro? Um livro ou um blog?
Algum Sertão é um livro que primeiro quis ser um blog.
Essa foi a conclusão que cheguei após dois anos de vivência, pesquisas, contato profundo com o material recolhido na viagem que eu, Margot, Brasinha e Germano fizemos juntos ao norte de Minas Gerais, há dois anos. A tecnologia digital estava aí, acenando com as suas possibilidades encantadoras; o material do livro também, quente em nossas mãos. Muitas horas de entrevistas, textos, poemas, centenas de fotos, uma dezena de pequenos vídeos, desenhos…
Fora tudo isso, a palavra, matéria prima do livro. Essa mesma que avança com desenvoltura no mundo digital. O livro Algum Sertão não podia se omitir desse momento, desse rito de passagem. Não seria a web também uma espécie de sertão, amplo, impreciso, fluido?
No projeto – livro e agora blog – a palavra escrita, a palavra contemplada, a palavra ouvida, a palavra cantada ocupam lugar de destaque e têm como padrinho nada menos que Guimarães Rosa, autor do Grande Sertão:Veredas. Fomos até Minas conferir se o sertão citado na sua obra ainda estava lá. Algum sertão. O da ficção, o da geografia, o sem lugar, o sozinho, o dentro da gente, o do tamanho do mundo.
Prefiro não responder, deixar que você descubra por si só o que nós encontramos. Com certeza o blog vai revelar apenas uma parte da verdade, a outra vai ficar por conta do livro, que sairá em breve, assim que completarmos o time de patrocinadores.
Cristina Mira
Para se tornar um dos patrocinadores do livro Algum Sertão, entre em contato com a Doble Cultura + Social pelo e.mail: contato@doblecom.com.br ou pelo telefone (11) 3542.2210. Ou mande e.mail para crismira@uol.com.br.
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A viagem – trechos do diário
* Já era noite. Raramente cruzávamos com um carro. Nesse percurso, sacolejando na estrada poeirenta iluminada apenas pelos faróis do carro, um lobo-guará corria em nossa frente, em velocidade impressionante. Valdé pisou no acelerador na tentativa de alcançar o lobo, mas, desistiu. Ele nos acompanhou, correndo na frente do carro, por um bom tempo.
* (…) No primeiro dia na Chapada, os preparativos para chegar à casa dos entrevistados. Para minha surpresa, muitos quilômetros nos separavam de cada um deles. Telefonemas, contatos, compras de comida e água, orientação sobre os acessos etc., foram as nossas principais providências. O prefeito José Raimundo Ribeiro Gomes nos deu as boas-vindas e apoio para algumas das empreitadas. (…)
* (…) Dia 24, um dos mais cansativos. Quatro horas de estrada ruim, sol quente e poeira. Nos revezávamos nos lugares da caminhonete para aliviar a dor nas costas. O perigo era atolar na areia fofa, em valas aparentemente rasas. Na hora do almoço, chegamos a comunidade quilombola de São Félix. Lá, conhecemos o líder comunitário José Ferreira dos Santos, o Zefino e toda sua família. Foi uma festa. A criançada se pôs a cantar, acompanhada de um cavaquinho. A casa da Dona Amélia estava aberta pra quem chegasse. Ela acabou de comprar uma geladeira, artigo de luxo para quem até alguns meses atrás, não tinha nem luz elétrica. As prateleiras da geladeira estavam cheias de água gelada em garrafas pet. Alguém gritou: “Dona Amélia, chegou o vendedor do Yakult!” (…)
* (…) Levávamos pequenas compras para os nossos entrevistados: café, carne, macarrão, bolachas, sabonetes. Desse jeito, além de ajudar, garantíamos o nosso almoço. Chegar pra almoçar é um costume no sertão, não há cerimônia, nem incômodo. Todos sabem que quem chega já percorreu horas de estradas desertas, sem bar, posto de gasolina e muito menos restaurante.
* (…) Na volta, já noite, a uns quinze quilômetros da Chapada Gaúcha, o pneu da caminhonete furou. Valdé desceu do carro, apanhou o estepe, vasculhou ferramentas, até chegar pra gente com a notícia: “O estepe está furado. Vamos ter que esperar que alguém passe na estrada para nos socorrer”. Sem celular e sem rádio, a única saída era esperar e rezar para que alguém chegasse logo. Depois de uma hora, um carro surgiu no horizonte. Não havia espaço para todos e Germano foi o escolhido para buscar ajuda na cidade. Sob o céu estrelado de inverno, lua cheia, me sentia dona do mundo, até o escorpião morder meu pé…”
* (…) Casualmente, conhecemos numa das paradas, o solitário barzinho do Dionízio. Na fachada, em letras grandes: “Nizão, ponto de informação”. Sem saber ler e escrever, Nizão se vale de estranhos mapas desenhados num caderno grande para orientar os motoristas que passam por ali.



Cris
Já tinha gostado desde quando você me falou do seu blog, antes mesmo de acessá-lo, porque sabia que só poderia vir coisa da boa – vindo de você!
Li. Gostei um tantinho bastante, ainda mais.
Já era seu fã. Agora sou macaco de auditório…
Joás
Cris , como vai? quanto tempo!
Que bela idéia o blog do Algum Sertão.
Claro que em breve vai rolar o livro e estaremos juntos comemorando.
parabéns.
germano
Cris,
À benção querida e ex futura madrinha ?
companheira de meus foveiros versos
a bater canelas pelas estradas de minha Pirapora ,
além do Buritizeiro ,Paredão, Capão Redondo ,Guaicuí…
Bocado de sertão,
neste Algum Sertão…
Sucesso para todos !
Com afeto,
Maria Silvia
Cristina, que projeto cheio de boniteza. Fiquei feliz também em ver uma foto do Brasinha, querido Brasinha. Sou uma das enfeitiçadas pelo bom ar de Cordisburgo! grande abraço
Obrigada pelo carinho. Descupe a demora para responder. Sim, o Brasinha é um querido e Cordisburgo é a cidade do meu coração. Vamos nos falando, tanta coisa em comum. beijo
Cris,
Muito legal o blog, acho que deu ainda mais curiosidade de ler o livro, parabéns pela ideia.
Agora vou ficar na torcida para o livro sair logo!
Beijo grande,
Ana
Cris, adorei tudo do seu blog…
Foi bom ver sua foto e seu trabalho!
Vê se aparece, estou com saudades.
Bjs, Mara.
Mara, obrigada pelo carinho.
Breve o blog terá mais novidades.
beijo, Cristina
Oi! Cris
Pois é. A gente reluta mas no fim adere as “modernices”. Sem dúvida a internet ajuda bastante. Seu blog está muito legal. Agora que você lançou no ar esse “cheiro” de sertão, não demore muito para publicar o livro! É isso aí! Vai em frente e cuidado com os escorpiões!!!!
Abraços
Betão
Olá Cristina, acabo de te conhecer, mesmo via tecnologia, e sinto que não foi por acaso. Adorei a sensibilidade de seu texto e também das fotos, claro. Farei o impossível para arranjar o meu livro pra vc, ok. Aguardo vc aqui em nossa cidade. Continue… sempre… Um forte abraço Lidia
Oi, Cristina!
Acho que você nem vai se lembrar de mim… mas nos conhecemos numa Semana Roseana. O mais engraçado é
que também já conhecia o Germano, de outra viagem, em Chapada do Norte, no Jequitinhonha. E o “José Oswaldo”, claro, há uns 10 anos!Que bacana ver vocês todos juntos!
Boa sorte neste trabalho!
Beijão.
p.s. ah, olha no meu blog: tem um textinho sobre seu Zito, que conheceu o Rosa na famosa viagem com os vaqueiros. Ele é citado no Tutaméia.
Entrei no seu blog. Gostei muito. Vou ler com calma e comentamos. Desculpe a demora na resposta.
O meu blog ainda está ganhando vida. Em breve, terá a voz dos entrevistados. te aviso.
Conhece meu livro sobre Codsiburgo?
beijo
Cristina
Ops! Você tem o contato do Brasinha?
Sim,
escreva para a Associação Amigos do Museu Guimarães Rosa: aamcgr@yahoo.com.br. Se preferir, ligue para a loja do Brasinha: (31) 3715.1276. Bj Cristina
( Ops, de novo: eu já fiz esta ‘mesma’ viagem. Mas sem o luxo da companhia do Brasinha. Fui com o fotógrafo João Correia Filho e em partes com a jornalista Patrícia Bonilha. E eu sou também jornalista e fotógrafa ).
Que saudades do Brasil. Ja nao me lebrava de como era o setao.
Boa sorte
Ana
Oi Ana, que alegria te ouvir!
Divulgue o blog por aí!
O sertão está em toda parte.
bj Cristina
adorei o trabalho de vocês…estou fazendo um trabalho em Minas, com os artesãos e queria saber mais sobre outros trabalhos seus? Se poderia usar algum material?
Paulo, podemos conversar melhor. Você me explica do que se trata. Que tal me mandar um e.mail: crismira@uol.com.br.
Abraço cordial
Que coisa mais bonita, gostei !
Cristina Mira, que prazer!! E que ótima viagem sua, e do blog!
Saudações cordisburguense!!
Grande abraço!
Obrigada. Entrei no blog de vocês. Adorei os poemas. Ô família talentosa! Saudações paulistanas.
Olá, Sra. Cristina Mira! Encontrei você no Google, durante pesquisa para um texto sobre Minas… Nosso último contato, faz muito tempo, nos encontramos em plena Av. Paulista, lembra-se? Legal saber que está realizando um trabalho querido e reconhecido por muita gente.
Mande notícias, ok? Saudade. Grande beijo. Ivan.
Que surpresa! Literatura, a obra do Guimarães Rosa, Minas Gerais me dão muita alegria. Escreva para meu e-mail: crismira@uol.com.br. beijo Cristina
Cristina Mira!!
Quanto tempo sim?! Saudades!! Espero estar tudo tinindo com você! Por aqui esta tudo bem!!
Esse foi o único contato que lembrei que tinha… Você lembra quando voce a última vez a Cordisburgo com sua amiga Tânia?! Então, pensei que voce pudesse enviar o e-mail dela para mim, pois queria pegar informações com ela sobre a escola ai em Sao Paulo, de teatro.
Se você tiver, ia adorar e agradecer esse favor!!
GOstaria so seu e-mail também, para ter e passar para a minha mãe se ela ainda não tiver!
Beijos aos infinilhões Cristina!
E muito obrigado!!
Rodolfo Goulart.
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Ah, meu e-mail rodolfogcastro@yahoo.com.br
Beijos!